Jair Rodrigues promete esquentar o clima em Viçosa com sua energia. No domingo, o cantor carioca apresenta repertório cheio de sucessos. Em entrevista, ele fala dos projetos e mostra muita alegria de viver
Jair Rodrigues começa a entrevista cantando. É assim mesmo. Nem boa tarde nem alô. O cantor atende o telefone cantarolando e gargalha. O riso largo é a deixa para começar a perguntar sobre o show que ele fará, domingo, no Festival Viçosa Samba Chopp. "Só sei que será
descontração geral. Gosto de ter o público sempre perto de mim e o repertório é calçado nos 51 anos de carreira", resume.
descontração geral. Gosto de ter o público sempre perto de mim e o repertório é calçado nos 51 anos de carreira", resume.Repertório é o que não falta. Afinal, são mais de 46 discos e inúmeros sucessos. E, como em Viçosa, o samba é que será rei, Jair promete inúmeras opções. "Tenho dentro do meu repertório samba, samba médio, samba rock, partido alto, forró, seresta, rap. Tem muita coisa. Será o Jair Rodrigues. E a gente canta o que o público pedir", garante.
Assim como aparece em cima do palco, o cantor de 71 anos (ele ressalta que faz 72 em fevereiro) extrapola de energia. Portanto, é definitivo ao afirmar que não pensa em aposentar as chuteiras tão cedo. "Recebi o dom de cantar de Deus. Se estou vivo hoje é graças a ele. Eu penso é em fazer novos discos, participar de filmes. Minha felicidade completa é quando estou no palco. Se não puder estar, é melhor que Deus me leve logo. Eu já conversei com Deus e mandei ele não me levar agora", conta aos risos.
Sem pressão, só alegria
Com o CD e DVD "Festa para um rei negro", lançado em 2009, o intérprete afirma que não se sente pressionado a lançar outro álbum agora. "Cheguei a gravar três discos por ano. Mas eram outros tempos. Hoje não é mais assim. As gravadoras estão falidas. É tudo pela internet agora. Os programas de TV são de péssima qualidade e os compositores - mesmo os da minha época - parece que perderam a inspiração. Não tenho pressa não", argumenta com a sabedoria de quem fala como um rei o mainstream.
Mesmo sem previsão para começar um novo trabalho, Jair garante que já tem muitas composições prontas. "Eu tenho um baú aqui em casa cheio de fitas de vários compositores que me mandaram canções para eu gravar desde a década de 70, como Martinho da Vila, Gilberto Gil, Djavan", conta. Preciosidade guardada a sete chaves, ele assegura.
O fato é que de novidade aponta duas músicas novas para o público (para ele são conhecidas há 35 anos): "Em cada irmão eu vejo Cristo", de Cláudio Fontana, e o samba "Sou brasileiro", do Dedé Paraíso (Demônios da Garoa). Para se ter uma ideia, essas duas músicas recém-gravadas estavam dentro do tal baú.
Considerado por muitos um visionário, o pai do rap no Brasil ressalta que não se apega somente aos artistas das antigas. Ele escuta a nova geração e destaca seus preferidos: "Eu vou te dizer dois nomes e você não vai se surpreender: Jairzinho e Luciana, meus filhos. Eu tenho uma verdadeira veneração por eles. Gosto também do Simoninha, do Happin Hood, da filha da Elis Regina, a Maria Rita, do irmão dela, o Pedro Mariano - é uma das melhores vozes - , o filho do Djavan, Max Viana. Gosto também da filha do Martinho (da Vila), a Mart´nália, e da filha da Zizi Possi, Luisa Possi". Todos filhos de peixe, hein, Jair? "Não. Também gosto da Vanessa da Mata, do Charlie Brown Jr, da Pitty e do Roupa Nova", completa.
Versatilidade
Jair gosta de cantar seus grandes sucessos "Disparada", "Deixa isso pra cá", "A voz do morro", "A majestade, o sabiá", "Casa de bamba" e "Orgulho de um sambista" e garante que o público jovem curte muito. "Tem garotada cantando e dançando aí minhas músicas. É gratificante dizer isso: hoje faço mais shows do que quando tinha 32 anos. É uma média de 42 shows por mês. Acho que é a energia que contagia", orgulha-se.
Ele não quer parar no tempo. Pra frente sempre, é um de seus lemas. Por isso se matriculou no curso de computação para tentar entender "essa tal internet", mas confessa que aprendeu pouco. "Tenho pouco tempo de internet. Ganhei até um notebook dos meus filhos, mas nem uso muito".
O homem que foi apresentador do primeiro programa famoso de música da TV, "O fino da bossa", ao lado de Elis Regina, venceu vários festivais, foi o primeiro a gravar um rap e ainda fez show de inauguração da TV a cores na Europa. Vanguardista e versátil, Jair se prepara agora para a carreira de ator.
Ele protagoniza o longa "Super nada", do diretor Rubens Ewald Filho. "É a história de um homem da TV, um comediante que se tornou conhecido, mas enche o saco e sai fora. Depois não aguenta e volta pra TV. Esse homem se chama Zeca e parece muito com a minha história também", antecipa. Mas, isso ele tira de letra, afinal, em 1969, foi protagonista do filme "Jovens pra frente". Como diz o b
ordão de Zeca: "Não tá fácil pra ninguém"!
MAIS INFORMAÇÕES
Jair Rodrigues no Viçosa Samba Chopp, a partir das 0h, do dia 14 (de domingo para segunda), no Palco da Igreja do Céu. (3283.2495).
http://www.vicosambachopp.com.br
Fonte: DN


