Para o senador, Serra terá todo o seu apoio, no CE, ganhará a eleição presidencial e terá apoio do PMDB no Senado
Governador do Estado por três mandatos e senador da República nos últimos oito anos, Tasso Ribeiro Jereissati (PSDB), anunciou ontem, em entrevista coletiva, no seu escritório em Fortaleza, que não mais disputará cargos eletivos. Depois da derrota sofrida nas urnas, nestas eleições, o tucano informou que sua vida política daqui para a frente vai se limitar ao trabalho de formação de novas lideranças tucanas para oxigenar a política do Estado, o que ele considerou indispensável, neste momento.
Na entrevista, o candidato do partido ao Governo do Estado, Marcos Cals, informou que pedirá à executiva estadual do PSDB que o partido tenha "identidade própria", ou seja, se alinhe como oposição ao atual Governo do Estado. Cals disse que pedirá o empenho de todos na campanha de segundo turno de José Serra (para a Presidência da República) e sugeriu: "quem não estiver integrado, a proposta é para ser convidado a se retirar do partido".
Sorrindo apenas quando cumprimentava alguns deputados eleitos pelo partido, Tasso disse que a decisão que resolveu tomar começou a ser traçada nas urnas, no domingo. "Quero dizer que não pretendo mais disputar cargos públicos. Essa decisão foi dada pela população, primeiro, e em seguida por mim, que não participarei mais de eleição", disse, ao complementar que iniciará um trabalho de renovação política no PSDB do Ceará.
Ainda sobre a derrota nas urnas, o senador disse respeitar a decisão da população por ter um apreço "quase sagrado" pelo voto, mas reconheceu que quando decidiu lançar candidatura própria ao Governo do Estado e partir em um caminho de oposição ao grupo que venceu as eleições para o Senado e o Governo do Estado, já sabia que as dificuldades seriam grandes e isso foi ficando mais claro, segundo ele, ao longo da campanha.
Outro
Erro estratégico do partido, segundo Tasso, foi o fato de não ter tido outra candidatura de senador, ou mesmo ter alinhado sua campanha à do candidato pelo PPS, Alexandre Pereira. Porém, o fator mais forte que contribuiu para que ele não fosse reeleito foi o esforço do presidente Lula em derrotá-lo.
"Foi uma campanha muito difícil em função de todas as circunstâncias. Eu nunca pensei, por exemplo, ver um presidente da República fazer telemarketing. Se você juntar a isso a popularidade do Lula, a economia que vai bem e a força da máquina pública, vai perceber a dificuldade", afirmou o senador tucano na entrevista.
Embora tenha anunciado o fim da sua atividade eleitoral, Tasso Jereissati declarou que ainda haverá tempo para que se engaje na campanha à presidente da República do tucano José Serra (PSDB), no segundo turno. "Ainda tenho forças para lutar pela eleição do Serra. Vou me engajar ao máximo", declarou, ao acrescentar que a política brasileira se "acanalhou". "Eu não tenho dúvida de que o presidente Lula é um dos responsáveis por isso porque a corrupção banalizou-se e precisamos mudar isso", declarou.
Nacional
Segundo Tasso Jereissati, nem mesmo a derrota imposta nas urnas para vários líderes da oposição no Senado, como ele, Artur Virgílio e Marco Maciel, o panorama não se altera na composição da Casa: "Não haverá mudanças. O Serra vai ganhar a eleição e o PMDB continua no Governo. Ou você acha que não?", questionou à repórter autora da pergunta.
Sobre uma possível atuação ainda na executiva nacional do PSDB, Tasso afirmou que o último compromisso neste sentido é com a eleição de José Serra. "Eu quero deixar bem claro que não pretendo mais ter vida política. Apenas vou atuar em nível regional como uma espécie de conselheiro para a formação de novos líderes", acrescentou.
Reestruturação
Em suas palavras, o candidato ao Governo do Estado pelo partido, Marcos Cals, deu a entender que irá se engajar mais fortemente na vida partidária. Em diversos momentos, ele enfatizou a necessidade de o partido ir para a oposição e destacou dois momentos neste pós-eleições 2010: o engajamento de todos na campanha de José Serra, no segundo turno, e, posteriormente, a reestruturação do partido passando pela eleição de novos dirigentes municipais. Cals destacou o número "positivo" de deputados estaduais eleitos pelo partido, 8, formando a segunda maior bancada da Assembleia, atrás apenas do PSB, do governador Cid Gomes.
Com informações do Diário do Nordeste

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