Inaugurado em 1993, o Parque Ecológico Lagoa da Fazenda já foi ´point´ de encontro em Sobral. Hoje, está abandonadoSobral. O Parque Ecológico Lagoa da Fazenda, que antes era considerado um ponto de lazer para os habitantes de Sobral, se encontra hoje em total abandono. A situação da área de quase 20 hectares é de causar indignação. Além da falta da cerca de proteção no entorno da lagoa, as pessoas que utilizam aquela área para o cooper estão vulneráveis aos assaltos. “Vi uma senhora que caminhava na minha frente ser assaltada, pensei em ajudá-la mas tive medo porque o outro bandido me observava”, disse o chaveiro Carlos Alberto, que freqüentemente passa pela lagoa.
Há cerca de dez anos, o local era um dos mais badalados da cidade, o chamado “point”, onde os jovens buscavam os quiosques instalados ali para beber, conversar, paquerar e manter encontro com os amigos. Passados os anos, o poder público abandonou a Lagoa da Fazenda, e as indústrias, para completar o quadro de descaso, continuam contaminando as suas águas com produtos químicos. “Quase que diariamente a gente se depara com funcionários de fábricas instaladas aqui próximo despejando dejetos dentro da lagoa”, denuncia a moradora Dória Alves.
O quadro de abandono é também formado pelo matagal na área. Aumenta a quantidade de plantas aquáticas que cobrem o espelho d’água, formando o fenômeno da eutrofização (em decorrência da grande quantidade de matéria orgânica na água, provavelmente originária de esgotos, o ambiente favorece a proliferação dessas plantas).
Até o prédio do antigo restaurante Brisa da Lagoa, onde foi implantado um dos play-grounds, foi coberto pelo mato. Hoje o local é ocupado por delinqüentes que atuam na área. “Tenho enfrentado problemas, não só com a poluição da lagoa, mas com o quadro de abandono. Os clientes que vêm aqui demoram pouco por causa das muriçocas. Afora os delitos que acontecem nesta região”, reclamava Jânio Martins Vasconcelos, proprietário do Restaurante Lagos, o único que resistiu ao tempo.
Poluição
Sobre a poluição das águas da lagoa pelas indústrias sediadas no município, o secretário de Habitação e Saneamento de Sobral, Osmany Parente, disse que, diariamente, fiscais da Prefeitura fazem trabalho de monitoramento na área, buscando evitar a poluição. Inclusive, orientando aos moradores para não jogarem lixo no espelho d’água. Ele disse desconhecer os casos de poluição provocados diretamente por indústrias e que as denúncias sobre o problema devem ser encaminhadas diretamente para a Secretaria Municipal, que buscará as medidas cabíveis para solucionar os casos.
Casa de campo
O Parque Ecológico da Lagoa da Fazenda está encravada na Fazenda dos Macacos, residência do coronel Antônio R. Magalhães e de sua mulher Quitéria Marques de Jesus. O local foi, inicialmente, cortado pela Estrada da Bethânia, construída por dom José Tupinambá da Frota para dar acesso à sua casa de campo.
Por muitos anos, a lagoa permaneceu sendo ponto de lazer dos habitantes de Sobral, que vinham se beneficiar da amena aragem do lugar e contemplar os perfumados aguapés do reservatório. Na gestão do Prefeito Jerônimo Prado, foi feita na lagoa a canalização para escoamento dos esgotos. Com o considerável aumento de ligações clandestinas, o reservatório sofreu um processo de poluição.
Durante o governo Tasso Jereissati, 1987-1990, foram iniciadas obras de recuperação, saneamento e urbanização do local, transformado em Parque Ecológico Lagoa da Fazenda. Sua inauguração aconteceu em outubro de 1993, já no governo Ciro Gomes. O parque ocupa uma área de 19,2 hectares. Agora, é esperar para ver qual governo assumirá o ônus.
(Fonte DN)
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